24 de nov. de 2011

Senadores estendem a lei antifumo para todo o país


O Senado aprovou uma medida provisória que proíbe o fumo em ambientes fechados de acesso público em todo o país.
Até os fumódromos, áreas criadas especificamente para fumantes em bares, restaurantes, danceterias e empresas, ficam proibidos.
Marcelo Justo-30.mai.10/Folhapress
Medida provisória aprovada pelo Senado proíbe o fumo em ambientes fechados de acesso público em todo o país
Medida provisória aprovada pelo Senado proíbe o fumo em ambientes fechados de acesso público em todo o país
Hoje, leis semelhantes já vigoram em São PauloRio de Janeiro e Paraná.
A medida passará a valer a partir da sanção do texto pela presidente Dilma Rousseff. A proposta, porém, ainda depende de regulamentação para fixar valor de multa.
O projeto é semelhante ao aprovado pelo então governador José Serra (PSDB) em São Paulo. No Estado, o dono do estabelecimento onde ocorre a infração pode pagar multa de até R$ 1.745.
Mas a medida aprovada pelo Senado é ainda mais restritiva, porque bane até as tabacarias --locais onde é possível fumar desde que não haja comida e bebida.
A proposta, que começou a tramitar no Congresso em agosto deste ano, foi aprovada de maneira simbólica.
Outras alterações foram aprovadas no Senado. Uma delas é a que prevê que, a partir de 2016, os maços de cigarros também tragam mensagens de advertência sobre os riscos do produto à saúde em 30% da parte frontal (hoje existe só na parte de trás).
Pontos de venda de cigarro não poderão mais ter propaganda. Eles deverão apenas expor os produtos e suas advertências à saúde.
Essas restrições foram comemoradas pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde). "Dados de outros países mostram que restringir o uso do cigarro em espaços coletivos e a propaganda no espaço de venda contribuem para reduzir o fumo", afirmou à Folha.
No Brasil, estima-se uma população fumante de 15% --em 1989 era de quase 35%.
Padilha, porém, criticou outro ponto da medida provisória, que libera a publicidade do cigarro em eventos.
ALTERAÇÕES
O projeto passou por várias alterações na tramitação. Na Câmara, o relator Renato Molling (PP-RS) era a favor do fim dos fumódromos, mas tentou abrir a possibilidade de que alguns locais (como restaurantes e boates) fossem totalmente livres para o fumo. Não teve sucesso.
"Nossa proposta era mais ampla, se protegia um pouco mais a produção e os fumantes", disse o deputado, que vem do principal Estado produtor de tabaco.
A Souza Cruz e Philip Morris, duas das maiores produtoras de cigarro do país, não quiseram comentar o caso.

11 de fev. de 2011

VALORIZAÇÃO DA REPORTAGEM

O encantamento do jornalismo

Por Carlos Alberto Di Franco em 8/2/2011
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 7/2/2011; intertítulos do OI

       Gay Talese, um dos fundadores do New Journalism (novo jornalismo), uma maneira de descrever a realidade com o cuidado, o talento e a beleza literária de quem escreve um romance, é um crítico do jornalismo sem alma e sem graça. Seu desapontamento com a qualidade de certa mídia pode parecer radical e ultrapassada. Mas não é. Na verdade, Talese é um enamorado do jornalismo de qualidade. E a boa informação, independentemente da plataforma, reclama competência, rigor e paixão.
       Segundo Talese, a crise do jornalismo está intimamente relacionada com o declínio da reportagem clássica. "Acho que o jornalismo, e não o Times, está sendo ameaçado pela internet. E o principal motivo é que a internet faz o trabalho de um jornalista parecer fácil. Quando você liga o laptop na sua cozinha, ou em qualquer lugar, tem a sensação de que está conectado com o mundo. Em Pequim, Barcelona ou Nova York... Todos estão olhando para uma tela de alguns centímetros. Pensam que são jornalistas, mas estão ali sentados, e não na rua. O mundo deles está dentro de uma sala, a cabeça está numa pequena tela, e esse é o seu universo. Quando querem saber algo, perguntam ao Google. Estão comprometidos apenas com as perguntas que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a imaginar. Às vezes, em nossa profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que você descobre a vida como ela realmente é vivida", observa Talese.
       A crítica de Gay Talese é um diagnóstico certeiro da crise do jornalismo. Os jornais perdem leitores em todo o mundo. Multiplicam-se as tentativas de interpretação do fenômeno. Seminários, encontros e relatórios, no exterior e aqui, procuram, incessantemente, bodes expiatórios. Televisão e internet são, de longe, os principais vilões. Será?

Rigor e relevância
       É evidente que a juventude de hoje lê muito menos. No entanto, como explicar o estrondoso sucesso editorial do épico O Senhor dos Anéis e das aventuras de Harry Potter? Os jovens não consomem jornais, mas não se privam da leitura de obras alentadas. O recado é muito claro: a juventude não se entusiasma com o produto que estamos oferecendo. O problema, portanto, está em nós, na nossa incapacidade de dialogar com o jovem real.
Mas não é só a juventude que foge dos jornais. A chamada elite, classes A e B, também tem aumentado a fileira dos desencantados. Será inviável conquistar toda essa gente para o mágico mundo do jornalismo? Creio que não. O que falta, estou certo, é ousadia e qualidade.
       Os jornais, equivocadamente, pensam que são meio de comunicação de massa. E não o são. Daí derivam erros fatais: a inútil imitação da televisão, a incapacidade de dialogar com a geração dos blogs e dos videogames e o alinhamento acrítico com os modismos politicamente corretos. Esqueceram que os diários de sucesso são aqueles que sabem que o seu público, independentemente da faixa etária, é constituído por uma elite numerosa, mas cada vez mais órfã de produtos de qualidade. Num momento de ênfase no didatismo e na prestação de serviços – estratégias úteis e necessárias –, defendo a urgente necessidade de complicar as pautas. O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer qualidade informativa: o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Quer também mais rigor e menos alinhamento com unanimidades ideológicas.
       A fórmula de Talese demanda forte qualificação profissional: "A minha concepção de jornalismo sempre foi a mesma. É descobrir as histórias que valem a pena ser contadas. O que é fora dos padrões e, portanto, desconhecido. E apresentar essa história de uma forma que nenhum blogueiro faz. A notícia tem de ser escrita como ficção, algo para ser lido com prazer. Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas". Eis um magnífico roteiro e um formidável desafio para a conquista de novos leitores: garra, elegância, rigor, relevância. Matéria especial de Fernando Gabeira sobre a Venezuela, publicada na edição dominical do Estado de S.Paulo (23/1), foi um belo exemplo de informação precisa e saborosa.


Pautas inovadoras
       O nosso problema, ao menos no Brasil, não é de falta de mercado, mas a incapacidade de conquistar uma multidão de novos leitores. Ninguém resiste à matéria inteligente e criativa. Em minhas experiências de consultoria, aqui e lá fora, tenho visto uma florada de novos leitores em terreno aparentemente árido e pedregoso. O problema não está na concorrência dos outros meios, embora ela exista e não deva ser subestimada, mas na nossa incapacidade de surpreender e emocionar o leitor. Os jornais, prisioneiros das regras ditadas pelo marketing, estão parecidos, previsíveis e, consequentemente, chatos.
       A revalorização da reportagem e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas. É preciso encantar o leitor com matérias que rompam com a monotonia do jornalismo declaratório. Menos Brasil oficial e mais vida. Menos aspas e mais apuração. Menos frivolidade e mais consistência. Além disso, os leitores estão cansados do baixo-astral da imprensa brasileira. A ótica jornalística é, e deve ser, fiscalizadora. Mas é preciso reservar espaço para a boa notícia. Ela também existe. E vende jornal. O leitor que aplaude a denúncia verdadeira é o mesmo que se irrita com o catastrofismo que domina muitas de nossas pautas.
       Perdemos a capacidade de sonhar e a coragem de investir em pautas criativas. É hora de proceder às oportunas retificações de rumo. Há espaço, e muito, para o jornalismo de qualidade. Basta cuidar do conteúdo. E redescobrir uma verdade constantemente negligenciada: o bom jornalismo é sempre um trabalho de garimpagem.

24 de jan. de 2011

OS GRANDES PRODUTOS NATURAIS

Está abatido, cansado, mole ou desiludido? SEXO levanta a sua moral, tonifica os seus músculos. Não fique depauperado, SEXO pode ser usado a qualquer hora, de preferência sem prescrição médica. Em casa, na rua, ou no escritório, tenha sempre SEXO à mão. SEXO é para todas as idades – os mais velhos devem usá-lo pelo menos uma vez ao ano, os mais moços até três vezes ao dia. E pode-se dizer que sem SEXO as crianças não existem. Mesmo que seu avô seja muito, muito idoso, a simples visão de SEXO melhorará muito a sua disposição, pois SEXO reativa a memória.

Se sua senhora está irritada ou insone é porque está com carência de SEXO. Dê-lhe SEXO e ela ficará de novo calma e risonha.

SEXO enrijece os homens e engorda as mulheres.

SEXO pode ser encontrado em toda parte e está ao alcance de todas as classes.

SEXO, noite e dia, dá saúde e alegria.

SEXO, por via oral ou intramuscular.

SEXO, em vários tamanhos, nas cores preto, branco e vermelho. Agite bem antes de usar. E também durante o uso.

Não se deixe enganar por certos similares – SEXO é absolutamente indolor.

E cuidado com as imitações – SEXO só existem dois.

                                                                                                        Millôr   O Pasquim - 1970

O ORGASMO TRIFÁSICO

Crônicas:

       Orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens, muito menos. Pelo fato de ser uma reação endócrina que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado.
       Orgasmo masculino não! É aquela coisa que todo mundo vê. Deixa o maior flagrante por onde passa. Diante desse mistério, as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas e centenas de livros escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto.
       Acompanho de perto, aliás, juntinho, este latejante tema. Vi, outro dia, no programa do Jô Soares, uma sexóloga sergipana dando uma entrevista sobre orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Walita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica.
       Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela "Periquita" na hora do orgasmo, e chegou à incrível conclusão de que, na hora "H", a "perseguida" dispara uma descarga de 250.000 microvolts. Ou seja, cinco "pererecas" juntas ligadas na hora do "aimeudeus!" seriam suficientes para acender uma lâmpada. Uma dúzia, então, é capaz de dar partida num Fusca com a bateria arriada.
Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tchan, carregou. É preciso ter cuidado porque isso não é mais "xibiu", é torradeira elétrica! E se der um curto circuito na hora de "virar o zoinho", além de vesgo, a gente sai com mal de Parkinson e com a lingüiça torrada.
Pensei: camisinha agora é pouco, tem de mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. E na hora "H", não tire o tênis nem pise no chão molhado... Pode ser pior!
       É recomendável, meu amigo, na hora que você for molhar o seu "biscoito" lá na canequinha de sua namorada, perguntar:
-É 110 ou 220 volts? Se não, meu xará, depois do que essa moça falou lá no Jô, pode dar
"ovo frito no café da manhã."
Esse país não melhora por absoluta falta de criatividade... São as mulheres, a solução contra o apagão.


MILLÔR

DEFICIÊNCIA NO ENSINO BÁSICO AFETA SUPERIOR

Em 2002, o Brasil publicou cerca de 12 mil artigos em revistas científicas da Web of Science, rede internacional de periódicos. Em 2008, foram mais de 26 mil. Tal aumento deveria corresponder a um aumento no número de pessoas que ingressam na pós-graduação. De fato, houve um crescimento significativo nos últimos anos, mas ainda insuficiente para a crescente demanda do País.
"Como fazer ciência sem gente?", questionava Miguel Nicolelis, em entrevista ao Estado há duas semanas. "Os americanos não contam com pessoas mais capazes lá. O que eles têm de diferente é um número maior de pesquisadores..."
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, concorda: "É preciso ter muita gente jogando futebol na várzea para que surjam alguns pelés."
E reconhece que o gargalo da pós-graduação está nos níveis anteriores, especialmente nos ensinos fundamental e médio. "Muitas pessoas não chegam ao ensino superior e, quando chegam, não tem o conhecimento necessário para realizar os estudos", afirma Guimarães.
O Plano Nacional de Pós-Graduação 2005-2010 previa atingir, no ano passado, o patamar de formar 2,9 mil doutores por ano em engenharia e computação, áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento tecnológico do País. Foi a única meta não atingida no plano, segundo Guimarães. "Ficamos um pouco acima da metade do previsto."
O próximo Plano Nacional de Pós-Graduação compreenderá o período 2011-2020. A Capes vai atuar nas políticas de educação básica oferecendo capacitação para professores nas áreas de conhecimento mais críticas. A esperança é que investimento no ensino de física e matemática, por exemplo, melhore o desempenho dos estudantes nas graduações de engenharia e diminua a evasão que, em alguns casos, chega a 50%.
Profissionalismo. O neurocientista Martin Cammarota, da PUC-RS, aponta que boa parte da ciência brasileira é feita por mestrandos e doutorandos. "Não podemos esquecer que ainda não são pesquisadores formados", afirma Cammarota. "Estão em processo de formação."
Ele defende um aumento significativo no número de pós-doutorandos. "Assim funciona lá fora e é um passo necessário para que subamos mais um patamar na pesquisa científica."

15 de jan. de 2011

MILLÔR

EDITAL DE ABERTURA

                                                  COMUNICADO GERAL

      Por meio deste edital, colocando todos os pontos críticos do país, ficam todos os brasileiros informados de que, a partir desta data, não existem mais Cidadãos Supérfluos. A Comissão Selecionada de Indivíduos Fracos, Burros e/ou Vadios para efeito de eliminá-los da comunidade – em atos sumários, sem apelação – é substituída, por ato de Alta Magnanimidade do Mandatário dos Mandatários, por uma Comissão de controle Público da Felicidade Geral. Todo indivíduo pode, a partir de hoje, exigir do Estado carinho – físico e psicológico -, ar refrigerado de dois cavalos e algum trocado.
      Pede-se, com extrema gentileza, apenas que não pisem na grama nem maltratem a polícia, apoiando e ajudando os Comitês de Felicidade Individual & Coletiva – sem intuito de lucro – a fim de que todo mundo possa viver no bem-bom, assumindo o deixa-pra-lá, dentro do plano Da-Vida-nada-se-leva.

Extraído da Revista Veja de 02 de Agosto de 78, na coluna do Millôr.